Puerpério: o que mudou de um filho para o outro?

Puerpério: o que mudou do primeiro para o segundo?

Quando Arthur, o meu filho mais velho nasceu, eu era uma típica mãe de primeira viagem que geralmente ainda tem a ilusão de ser perfeita, se não perfeita, quase perfeita. E eu estava ali, dia a e noite só para ele, mesmo quando a minha energia me dizia para ir fazer alguma coisa só para mim, voltar a praticar exercícios físicos, ler um livro, ver um filme, entre outras coisas que me dava vontade. Eu pensava: “Deixa isso para depois, porque essa fase, esse primeiro ano de vida dele passa tão rápido que você não pode perder quase segundo nenhum, segura a onda, sofre mais um pouco que já já passa!” Gente!!! Olha a incoerência e a inocência! Mal sabia a mamãe aqui que essa angustia, esse cansaço físico, emocional e mental, muito intensificados pela falta do autocuidado, eram sentidos pelo meu bebê! Sim, eles sentem. Mãe feliz, filho feliz. Já ouviu aquele velho bordão: “Primeiro coloque a máscara de oxigênio em você e depois no outro”? Pois se não, você fica sem ar e não se salva e aí não consegue salvar ninguém. Ok, se o meu primeiro bebê demandou muito mais atenção da mãe, horas de sono e muito mais peito do que o segundo? Sim. De fato, cada bebê tem suas próprias necessidades que podem ser bem diferentes das dos irmãos. Cada bebê vem com sua caixinha de surpresas que vamos conhecendo aos pouquinhos. Mas sem dúvida, se eu tivesse tido a consciência da importância do autocuidado que tenho hoje e se tivesse delegado, pedido mais ajuda com o meu primeiro filho e reservado mais tempo para mim, com certeza o meu primeiro puerpério teria sido mais leve. Mas é como dizem, o primeiro vem te preparar como mãe e te ensinar um montão de coisas que você provavelmente já vai tirar de letra com o segundo. Viva a coragem do primogênito em ser o primeiro!

No meu primeiro puerpério eu não me permiti muita coisa. Eu não me permiti a quase nada para além da maternidade nos seis primeiros meses. Depois, por obrigação, beeeem moderadamente, de casa, quando o marido chegava no final da tarde, eu voltei a fazer algumas coisas do trabalho. Eu corrigia dissertação de mestrado de um aluno e trabalhava em um artigo que tinha sido recusado por uma revista científica. Nossa, como me fazia bem aquela uma ou duas horas no final de um dia ou outro! Mas mesmo assim, mesmo com esse bem estar esfregado na cara, eu ainda me perguntava: “será que não estou desperdiçando meu tempo aqui e deixando de curtir mais o meu filho”. E olha que já tinha passado o dia todo com ele! Olha a culpa esmagadora gente! Xô para lá! Eu einh mãenzinha!

Então, agora, no meu segundo puerpério eu não vou esperar o meu filho completar 2 anos, sequer um ano para voltar a escrever e-mails profissionais ou qualquer outra coisa que tenha vontade e nem para começar a colocar idéias no papel, e se possível até em prática. Faço isso já, desde agora, com ele aos 3 meses. Imagina que no meu primeiro puerpério eu iria me dar ao luxo de sentar mensalmente, por alguns minutos e escrever algo, mesmo que sobre maternidade, em um blog?? Não, não, nem pensar, a culpa iria me avassalar, imagina meu filho com apenas 3 meses e eu fazendo isso? Quando que com o meu primeiro eu iria, com 40 dias de parida retomar as atividades físicas leves, como o meu tão necessário pilates (sem eles a lombar não sobreviveria com as longas noites de amamentação)???

Mamãe no pilates!

Aplausos para aquelas mães que aprenderam a cuidar de si no puerpério e mais aplausos para a sorte do segundo filho em ter uma mamãe mais feliz e por inteiro quando está com ele! E um abraço apertado para as mamães que estão descobrindo o quão importante é o autocuidado para si e para os filhinhos!

E você, mamãe de mais de um, o que mudou de um puerpério para o outro? Qual foi a diferença ou quais foram as diferenças mais marcantes para você?

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Lei da atração na maternagem

Pense, deseje, peça ao Universo, e se dizer em alto e bom som ainda, nossa, o que você tanto quer acaba chegando até você. O que você fala possui ainda mais poder do que o que você pensa. E quando se trata de palavra de mãe então, pode crer que isso deve chegar mais rápido ainda, merecemos e o Universo sabe o quanto!

Pois bem, eu compartilhei aqui a minha sexta-feira angustiante e nomeei o que gostaria de fazer e do que estava precisando para me sentir melhor. Eu também disse para minha mãe, e acreditem, duas horas depois o meu marido me ligou dizendo que um casal de amigos nossos nos convidou para ir a um festival de comida, cerveja, e música ao ar livre! Na mesma hora eu disse “SIM! Sim, eu preciso muito disto hoje!”.

Então, fomos os quatro, um com cada filho nos braços, e eu muito feliz por estar saindo, mesmo com um chorinho e resmungo ou outro no carro. E chegando lá, adivinhem só??? Uma banda de Pop-Rock da melhor qualidade estava tocando e eu não me aguentei: dancei, rodei a cabeça para todos os lados, pulei, cantei, enquanto marido e filhos me olhavam, ora admirados, ora um pouco assustados. Como me fez bem! Não, não tinha a minha tão desejada cerveja sem álcool (eu perguntei em todas as barraquinhas para me certificar), mas tudo bem, estava ali, com música boa, jogando conversa fora com os amigos e dando boas risadas. Até o filho mais velho, de quase 3 anos, dançou animado uma música ou outra e quando ficou entediado, recorremos aos vídeos infantis no celular, que em lugares públicos, sempre nos “salvam” e nos deixam relaxar um pouco. E o mais novo, ficou no colinho do papai, só observando o movimento e observando a mamãe dançar daquele jeito. Depois mamou e pronto, um soninho lindo até irmos embora. Viva a lei da atração! Viva a liberação e renovação de energia!

Mamãe liberando a tensão e papai um pouco assustado! 
“O estado de espírito da mãe dita o clima na casa”

E para completar, no sábado ainda tivemos a visita de duas tias queridas de São Paulo, a minha cidade natal. Então, além do paparico com os bebês e descanso para os papais, ainda pude ter boas conversas e o aconchego familiar. E como se não bastasse, no domingo fomos para um aniversário infantil, com churrasco, piscina, música ao vivo, e a perfeição estava ali: dia bonito, animação e recreação que roubaram a atenção do mais velho o tempo todo, enquanto o bebê dormiu boa parte do tempo e papai e mamãe puderem até dançar juntinhos novamente. Voltando a ser um casal por alguns bons minutos!

Resultado do final de semana: mamãe cansada, mas muito feliz e de mente descansada, conseguiu, pela primeira vez desde que o bebê nasceu, ir com os dois em um parque mais afastado de casa, maior e muito bonito, o famoso parque Lage do Rio de Janeiro. Sim, com o mais velho, Arthur, ajudando a empurrar o carrinho do bebê, chegamos sem maiores problemas e conseguimos brincar de pega-pega no parque, fazer castelo da areia e o bebê Lorenzo sentiu a textura da areia com um sorriso banguela lindo no rosto. Na volta, a mamãe de tão animada que estava, ainda passou, a pedido de Arthur, no parquinho do clube militar, onde Lorenzo pode sentir com os seus pezinhos de 3 meses, a textura da grama e do brinquedo de plástico e de madeira do parquinho pela primeira vez. Eles voltaram bem cansados de um excelente início de semana! Mais um dia! Mamãe feliz, crias mais calmas e obedientes, essa bola de neve é que eu quero ver mais vezes!

Ser mãe é lindo, mas a maternidade dói, dói muito às vezes

Olha, de fato, ser mãe é maravilhoso, mas a maternidade dói, e dói muito, muitas vezes. Eu estou naqueles dias em que parece que a cabeça vai explodir, de tensão sinto dores na lombar e no ombro. Sabe o que eu queria? Eu queria um quiosque na beira na praia, com cerveja zero álcool e aquela música ao vivo que faz você viajar. Eu queria uns minutos com uma amiga, para conversar, falar besteira, jogar conversa fora. Eu queria cantar em alto e bom som qualquer música que me faz fechar os olhos, eu queria poder sair por aí, dançar, dançar e dançar. Tudo isso ou algo disso, apenas um pouquinho. Por meia hora? Por uma hora? Para aí voltar para a casa de energia e alma renovadas e dar o melhor de mim para os meus filhos, dar aquele abraço gostoso e se divertir ao brincar com eles de carrinho, caminhão, carreta, trtaor esteira, ou qualquer coisa do gênero.

Mas agora não dá, não tenho a música, estou longe do quiosque, eles choram, o bebê de 3 meses está  sentindo falta do colo da mãe e o de quase 3 anos está “quebrando” tudo, pois tamanha energia teve que ficar contida hoje em um apartamento. Sim, a mamãe não teve força para sair no parquinho hoje. E aí se inicia a bola de neve, bebê irritado, criança com ciúmes do irmão, criança com energia acumulada, mamãe irritada, cada vez irritada e com vontade de gritar, botar o choro todo para fora! Meu Deus, o que fazer?? Primeiro me descontrolei com o mais velho e pedi para ele ficar quieto. Mas é óbvio que isso não teve efeito nenhum né mamãe. Mais tarde, uma vaga lembrança das inúmeras informações, excessivas na verdade (e que muitas vezes parecem simplesmente fugir da cabeça) que vou obtendo de educadores, livros de educação não violenta, comunicação não violenta e etc., me veio à mente e eu entrei com o bebê no banheiro e me tranquei. Eu disse para o mais velho: “por favor, para de pular encima da cama, o seu irmão está aqui, isso pode quebrar a cama e machucar vocês”, “por favor, para que eu não estou aguentando, eu estou ficando muito irritada”, “já que você não parou, eu preciso sair daqui para respirar e me acalmar, então vou me trancar no banheiro para isso”. Pronto, aí começou o berreiro do mais velho do lado de fora, a batedeira na porta. E eu dizendo que precisava me acalmar. Quando ele parou, eu abri, e saí, dizendo que eu estava um pouco melhor. Certo ou errado? Sinceramente, já nem sei. O que sei é que ele parou por um tempo, até surgir uma nova história minutos depois, e eu me senti melhor por não ter gritado mais uma vez e nem ter chegado ao ponto de dar uma palmada. Viva, mais um dia! Um dia após o outro! E agora? Agora estou na espera do maridão chegar do trabalho para que eu possa dar aquela fugidinha, nem que seja para o chuveiro com uma música beeeem alta e relaxante!  

Amigas da cerveja 0,0 %, amigas que querem ir dar uma voltinha no shopping, que querem dar uma volta na rua e sentar em um lugar qualquer para dar boas risadas ou simplesmente jogar conversa fora, aquelas que querem dançar um forró, um zouk, um samba, ou qualquer rock, onde vocês estão??? Eu preciso de vocês, pelo menos por uma horinha hoje! Help me!

O que foi mais desafiador no seu puerpério?

Queridas mamães, cada puerpério é diferente do outro, mesmo a mãe sendo a mesma pessoa. A mesma mulher? Nem sempre, pois a cada novo nascimento, nasce também uma nova mulher, uma nova mãe com novas demandas, com uma nova realidade. E de uma forma geral, posso dizer que o meu maior desafio foi aceitar o fato de que a partir do momento que o meu segundo filho nascesse eu não seria nunca mais a mesma mãe para o primeiro e que eu não conseguiria ser para o segundo a mesma mãe super disponível que fui para o primeiro. Isso doeu bastante, chorei por duas semanas antes do parto mais novo. Mas por fim, que o turbilhão do primeiro mês passou, consegui atingir um ponto de mais ou menos equilíbrio.

Outro desafio foi o de entender que ir na academia, fazer exercícios físicos, encontrar uma amiga para conversar, ler algo relacionado a minha profissão, ter saudades do meu trabalho, não me faziam uma mãe pior. Pelo contrário! Tudo isso, em pequenas doses, me deram foça para não cair em depressão (o que é um risco que corre uma mãe com um filho de 1 mês e outro de 2 anos e meio que ainda não vai para a creche e com toda a família em outra cidade). Além disso, são essas “fugidas” que me fazem até agora (bebê com 3 meses e mais velho com quase 3 anos), estar mais por inteiro e mais feliz quando estou com eles. Algumas vezes, mesmo cansada da noite mal dormida, ao invés de ir dormir junto com os dois quando resolvem cochilar ao mesmo tempo (essa é um dos momentos em que mais sinto euforia no dia, pois terei um tempo meu!), eu prefiro arriscar fazer a minha unha, ler um livro (nem que seja uma página rsrs), ou simplesmente assistir TV com um silencio raro ao redor, ou pegar em algum material do meu trabalho. E foi a partir daí, desses momentos meus, que nasceu a idéia de fazer um blog, de compartilhar tudo o que venho vivendo, sentindo, aprendendo, desaprendendo rsrs e trocar experiências com outras mães que mesmo sem me conhecer, fazem parte desse meu novo e encantado mundo. Para ser mais exata, a iniciativa de fazer esse blog, se deu na semana passada, há exatamente uma semana, como um grito de socorro, quando eu estava no meu limite de stress. Eu vou compartilhar com vocês já já e também contar como foi o lindo desfecho dessa historinha, que no começo não estava tão linda assim.

E você, qual foi o seu maior desafio no puerpério? Compartilha aqui!